Pena que o autor daquele artigo em jornal espírita não conhece e não aplica aquele antigo ditado: “roupa suja se lava em casa”. E por desconhecê-lo, prejudicou a divulgação do Espiritismo.

Algum tempo depois da ocorrência do incidente acima, uma das revistas espíritas mais tradicionais do país escreveu um belíssimo editorial enfocando os erros cometidos por alguns órgãos espíritas, em relação às críticas entre espíritas. Alertava aquele editorial sobre a necessidade de haver maior compreensão e bom senso entre os espíritas. Foi um texto respeitoso e muito bem escrito. Um alerta necessário.

Mas veja só, caro leitor, em abril de 1.999 tive o desprazer de ler nessa mesma conceituada revista espírita (que, lembro-lhe, havia alertado aos demais veículos de comunicação espírita sobre os malefícios da má imprensa) um artigo onde ela cometia o mesmo erro que antes condenara.

Essa revista também esqueceu que “roupa suja se lava em casa”. Fez ela um desserviço à divulgação da Doutrina. E, pela sua importância e tradição no meio espírita, o desserviço dessa revista foi imenso.

Existem divergências entre padres, pois que são humanos. Existem divergências entre pastores protestantes, pois que são humanos. Existem divergências entre espíritas, pois que somos humanos. Mas, você já leu em algum jornal ou revista católica ou protestante alguma crítica aos seus seguidores? Certamente não.

Eles têm uma assessoria de imprensa que orienta-os: “roupa suja se lava em casa”. O que o leitor quer ler são textos consoladores e não discussões efêmeras onde o ego e a maledicência do autor predominam.

Diz nos Kardec, com sua sabedoria e bom senso (vide “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXIX, item 348):

“As reuniões que se ocupem exclusivamente das comunicações inteligentes e as que se dedicam ao estudo das manifestações físicas, têm cada uma sua missão; nem umas nem outras estariam no verdadeiro espírito do Espiritismo, se se olhassem mal, e aquela que atirasse a primeira pedra na outra, provaria só com isso a má influência que a domina; todas devem concorrer, embora por caminhos diferentes, ao objetivo comum que é a procura e a propagação da verdade; seu antagonismo, que não seria senão um efeito do orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, não poderia senão prejudicar a causa que pretendem defender”.