A Rotina Devastadora

Alkíndar de Oliveira

 

Cara irmã, caro irmão espírita, necessitamos sair da rotina paralisante.

Sabemos, pelas palavras de Kardec, que o Espiritismo é uma Doutrina inovadora. No entanto, de forma paradoxal, o movimento espírita mantém-se muito atrasado em termos de conceitos de liderança. Não se inova.

Li em abril de 99 um editorial, redigido por um dos destacados líderes espíritas brasileiros, que preocupou-me ( não obstante o seu altíssimo conteúdo, aliás, característica marcante dos textos do referido líder ).

Preocupou-me porque dizia o autor do editorial que o Espiritismo deveria tomar cuidado em não seguir as inovações que estão surgindo.

É bem verdade que ele – o autor – tem lá suas razões. Se sairmos seguindo e adotando tudo o que aparecer de inovador, corremos o risco de desfigurar nossa Doutrina (tem gente até que acredita que inovar é não seguir Kardec!!! ).

Por isso, devemos sim tomar cuidado com as diversas “inovações” que estão surgindo. Cautela, bom senso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Mas acontece que o autor generalizou. Isto é, ele não enfocou que deveríamos tomar cuidado com certas inovações. Ele generalizou, repito. Dando a entender que devemos deixar tudo como está, que está tudo bem, que – parece-me, pelas suas palavras – o Espiritismo está no caminho certo.

Na realidade, se olharmos com olhos de quem observa o Espiritismo de fora para dentro (não somente de dentro para fora), perceberemos nitidamente que uma das características marcantes do movimento espírita atual é a ausência de medidas ousadas, conseqüência da presença de líderes eficientes mas não eficazes.

Portanto, irmãos espíritas, vamos inovar, vamos ser ousados, vamos sair da mesmice.