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Firmeza de Propósitos
Allan Kardec
Sem, pois, me deixar influenciar seja pelas idéias de uns, seja pelas
de outros, sigo a rota que eu mesmo tracei: tenho um objetivo, vejo-o,
sei como e quando o atingirei e não me inquietam os clamores dos que
passam por mim.
Crede, Senhores, as pedras não faltam em meu caminho! Passo por cima
delas, mesmo das mais altas e pesadas. Se se conhecesse a verdadeira
causa de certas antipatias e de certos afastamentos, muitas surpresas
nos aguardariam!
É ainda preciso, entretanto, mencionar as pessoas que são postas,
relativamente a mim, em posições falsas, ridículas e comprometedoras e
que procuram se justificar, em última instância, recorrendo a pequenas
calúnias: os que esperavam seduzir-me pelos elogios, crendo levar-me a
servir aos seus desígnios e que reconheceram a inutilidade de suas
manobras para atrair minha atenção; aqueles que não elogiei nem
incensei e que isso esperavam de mim; aqueles, enfim, que não me
perdoam por ter adivinhado suas intenções e que são como a serpente
sobre a qual se pisa.
Se todas essas pessoas decidissem se colocar, por um instante sequer,
em uma posição extraterrena e ver as coisas um pouco mais do alto,
compreenderiam bem a puerilidade de quanto as preocupa e não se
espantariam com a pouca importância que a tudo isso dão os verdadeiros
espíritas.
É que o Espiritismo abre horizontes tão vastos, que a vida corporal,
curta e efêmera, se apaga com todas as suas vaidades e suas pequenas
intrigas, ante o infinito da vida espiritual.
Não devo, entretanto, omitir uma censura que me foi endereçada: a de
nada fazer para trazer de novo a mim as pessoas que se afastam. Isso é
verdadeiro e a reprovação fundamentada. Eu a mereço, pois jamais dei
um único passo nesse sentido e aqui estão os motivos de minha
indiferença.
Aqueles que de mim se aproximam, fazem-no porque isto lhes convém; é
menos por minha pessoa do que pela simpatia que lhes desperta os
princípios que professo.
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