Reuniões desta natureza se multiplicarão sem dúvida à medida que a verdadeira finalidade do Espiritismo for melhor compreendida. Essas são, igualmente, as que fazem a mais frutuosa e mais sólida propaganda, pois que reúnem pessoas bem intencionadas e preparam a reforma moral da Humanidade pregando pelo exemplo.(1)

Em resumo, nossa viagem tinha uma dupla finalidade: oferecer orientações onde destas houvesse necessidade e, ao mesmo tempo, nos instruirmos a nós mesmos. Desejávamos ver as coisas com nossos próprios olhos, para julgar do estado real da doutrina e da maneira pela qual ela é compreendida; estudar as causas locais favoráveis ou desfavoráveis ao seu progresso, sondar as opiniões, apreciar os efeitos da oposição e da crítica e conhecer o julgamento que se faz de certas obras.

Estávamos desejosos, sobretudo, de apertar a mão de nossos irmãos espíritas e de lhes exprimir pessoalmente nossa sincera e viva simpatia, retribuindo tocantes provas de idênticos sentimentos que nos chegam, por suas cartas; dar, em nome da Sociedade de Paris e em nosso próprio nome, em particular, um testemunho especial de gratidão e de admiração a esses pioneiros da obra espírita que, por sua iniciativa, seu zelo desinteressado e seu devotamento, constituem dela os primeiros e mais firmes sustentáculos, a esses que caminham sempre em frente, sem se inquietarem com as pedras que se lhes atiram, colocando o interesse da causa espírita à frente de seus interesses pessoais.

Seu mérito é tanto maior porque trabalham em solo ingrato, vivem em um meio refratário e não esperam deste mundo nem fortuna, nem glória, nem honrarias.

Seu júbilo, porém, é grande quando, entre os abrolhos, vêem desabrochar algumas flores. Dia virá em que teremos a felicidade de erguer um Panteon ao devotamento dos espíritas. Esperando que esta circunstância se apresente, queremos deixar-lhes o mérito da modéstia: eles se fazem conhecer e apreciar por suas próprias obras. (2)

Espíritas, sois os pioneiros dessa grande obra. Tornai-vos dignos da gloriosa missão, cujos primeiros frutos já recolheis. Pregai por palavras, mas, sobretudo, pregai por exemplos. Comportai-vos de modo a que, em vos vendo, não possam dizer que as máximas que ensinais são palavras vãs em vossos lábios.