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A
tática já posta em ação pelos inimigos dos espíritas, mas que vai ser
empregada com novo ardor, é a de tentar dividi-los, criando sistemas
divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos
deixeis cair na armadilha e tende como certo que aquele que procura,
seja por que meio for, romper a boa harmonia, não pode estar animado
de boas intenções. Eis porque vos exorto a guardar a maior prudência
na formação dos vossos grupos, não só para a vossa tranqüilidade, mas
no próprio interesse dos vossos trabalhos.
A
natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Ora, não
há recolhimento possível se somos distraídos pelas discussões e pela
expressão de sentimentos malévolos. Se houver fraternidade não haverá
sentimentos de malquerença; mas não pode haver fraternidade com
egoístas, com ambiciosos e orgulhosos. Com orgulhosos, que se
escandalizam e se melindram por tudo; com ambiciosos, que se
decepcionam quando não têm a supremacia, e com egoístas que só pensam
em si mesmos, a cizânia não tardará a ser introduzida e, com ela, a
dissolução. É o que gostariam os inimigos e é o que tentarão
fazer.(...)
Devo ainda vos chamar a atenção para outra tática de nossos
adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se
afastarem do verdadeiro objetivo da doutrina, que é o da moral, para
abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com
toda a razão, despertar susceptibilidades e desconfianças.
Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de
vossas reuniões tudo quanto disser respeito à política e às questões
irritantes; nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas
suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a moral, quando ela
for boa. Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o
essencial.(...) No próprio interesse do Espiritismo, que ainda é
jovem, mas que amadurece depressa, deveis opor uma firmeza inabalável
aos que buscarem vos arrastar por um caminho perigoso.
Texto extraído da Resposta de Allan Kardec à mensagem de Ano Novo dos
espíritas lioneses, inserido na Revista Espírita de fev/1862
Fonte:
Jornal Mundo Espírita
- maio/2005
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