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Música de
Além-Túmulo
Allan Kardec
O Espírito
de Mozart veio ditar ao excelente médium, Senhor Bryon-Dorgeval, um fragmento de
sonata. Como meio de controle, esse último fê-la ouvir por vários artistas, sem
indicar-lhes a fonte, pedindo simplesmente que cor encontravam nesse trecho;
cada um nele reconheceu, sem hesitação, a marca de Mozart.
Foi
executado na sessão da Sociedade, do dia 8 de abril último, em presença de
numerosos conhecedores, pela senhora de Davans, aluna de Cho-pin e pianista
distinta, que consentiu em prestar seu concurso. Como ponto de comparação, a
senhorita de Davans, preliminarmente, fez ouvir uma sonata composta por Mozart
quando vivo. Não houve senão uma voz, não só sobre a perfeita identidade do
gênero, mas ainda sobre a superioridade da composição espírita.
Um trecho
de Chopin foi em, seguida executado pela senhorita de Davans, com seu talento
habitual. Não se poderia perder essa ocasião de invocar esses dois compositores
com os quais se teve a conversa seguinte:
Mozart
Sem
dúvida sabeis qual o motivo que nos fez chamar-vos? Vosso chamado me
dá prazer.
Reconheceis o trecho, que se acabou de tocar, como sendo ditado por vós?
Sim, muito bem; eu o reconheço inteiramente. O médium, que me serviu de
intérprete, é um amigo que não me traiu.
Qual dos
dois trechos preferis? O segundo, sem paralelo.
Por quê?
A doçura, o encanto nele estão mais vivos e com mais ternura, ao mesmo
tempo.
Nota -
Com efeito, essas são as qualidades reconhecidas nesse trecho.
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