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Todos vós que sonhais com essa idade de ouro para a
Humanidade trabalhai, antes de tudo, na construção da base do edifício, sem
pensardes em lhe colocar a cúpula; ponde-lhe nas primeiras fiadas a fraternidade
na sua mais pura acepção.
Mas, para isso, não basta decretá-la e inscrevê-la
numa bandeira; faz-se mister que ela esteja no coração dos homens e não se muda
o coração dos homens por meio de ordenações. Do mesmo modo que para fazer que um
campo frutifique, é necessário se lhe arranquem os pedrouços e os tocos, aqui
também é preciso trabalhar sem descanso por extirpar o vírus do orgulho e do
egoísmo, pois que aí se encontra a causa de todo o mal, o obstáculo real ao
reinado do bem.
Eliminai das leis, das instituições, das religiões,
da educação até os últimos vestígios dos tempos de barbárie e de privilégios,
bem como todas as causas que alimentam e desenvolvem esses eternos obstáculos ao
verdadeiro progresso, os quais, por assim dizer, bebemos com o leite e aspiramos
por todos os poros na atmosfera social.
Somente então os homens compreenderão os deveres e
os benefícios da fraternidade e também se firmarão por si mesmos, sem abalos,
nem perigos, os princípios complementares, os da igualdade e da liberdade.
Será possível a destruição do orgulho e do egoísmo?
Responderemos alto e terminantemente: SIM. Do contrário, forçoso seria
determinar um ponto de parada ao progresso da Humanidade.
Que o homem cresce em inteligência, é fato
incontestável; terá ele chegado ao ponto culminante, além do qual não possa ir?
Quem ousaria sustentar tão absurda tese? Progride ele em moralidade? Para
responder a esta questão, basta se comparem as épocas de um mesmo país.
Por que teria ele atingido o limite do progresso
moral e não o do progresso intelectual? Sua aspiração por uma melhor ordem de
coisas é indício da possibilidade de alcançá-la. Aos que são progressistas cabe
acelerar esse movimento por meio do estudo e da utilização dos meios mais
eficientes.
Fonte: livro “Obras Póstumas” - FEB - Federação
Espírita Brasileira |