Cocaína Não Está Relacionada com o Sucesso ?

Aluney Elferr Albuquerque Silva

 

A Cocaína, pelo modo como apareceu para uso de pessoas não-delinqüentes e de comportamento socialmente adequado, trouxe a impressão de que era a droga de escolha dos vencedores.

Parecia que ela iria substituir a Champanhe nas comemorações, especialmente nas dos jovens profissionais bem sucedidos - os Yuppies dos anos 80, jovens que fizeram uma trajetória oposta às dos seus antecessores: não só não negaram nem criticaram os valores da sociedade burguesa e consumista como a assumiram como sendo ótima, e trataram de ser os vencedores exatamente dentro das regras do jogo.

Talvez em momento algum da história a juventude tenha sido tão conservadora quanto nos anos 80. Os próprios pais desses jovens os chamavam de "caretas" !

Aí veio o sucesso para eles. E o sucesso tinha de ser ostentado. Tinha de ser representado pelo carro da marca tal, pelo relógio qual, pela roupa da griffe X, pelas viagens, pelos barcos, por freqüentar tantos e tais restaurantes, e assim por diante.

E a cocaína conseguiu seu lugar entre as características do sucesso. Isso por várias razões. Uma delas, por ser cara e, portanto, estar de acordo com a filosofia yuppie de que se deve buscar tudo aquilo que só uns poucos podem comprar - é a forma de se destacar pelo poder econômico.

A outra razão é a de ser a cocaína um forte estimulante, coisa que, como já foi dito, criava condições para que os jovens se divertissem durante a noite e fossem capazes de trabalhar pesado durante o dia. Eles queriam agarrar o mundo com as mãos. Não conseguiram.

Há ainda uma terceira razão. O sucesso é coisa complicada, especialmente atingido muito rapidamente, ainda na mocidade. Ele traz consigo tendências destrutivas, sabotadoras do próprio sucesso.