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Freio no
Aquecimento
André
Trigueiro Mendes
Em japonês
escreve-se Kyoto. Por aqui, é Quioto. De um jeito ou de outro, esta mística
cidade japonesa que reúne mais de 1.600 templos budistas entrou para a história
como a sede do encontro que selou, há exatamente sete anos (número pra lá de
cabalístico), o destino do que alguns analistas consideram o mais importante
acordo internacional da história. O chamado Protocolo de Quioto é a resposta da
civilização ao mais grave problema ambiental do terceiro milênio: o aquecimento
global.
Com a
adesão da Rússia no último mês de outubro, alcançou-se a condição básica para
que o protocolo entrasse em vigor: que ele fosse ratificado por no mínimo 55
países que respondessem por 55% das emissões totais dos gases que agravam o
aquecimento do planeta. Agora não tem mais volta: a ONU marcou para o próximo
dia 16 de fevereiro o ponto de partida para a implementação das novas regras
internacionais.
Toda essa
mobilização se deu a partir dos graves diagnósticos produzidos pelos cientistas.
De acordo com Painel Intergovernamentalde Mudanças Climáticas da ONU - que reúne
cientistas recrutados pelo Programadas Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela
Organização Meteorológica Mundial - não há dúvidas de que a humanidade contribui
para a elevaçãoda temperatura do planeta, com a queima progressiva de petróleo,
gás e carvão.
A queima de
combustíveis fósseis agrava o chamado efeito estufa, a capacidadedo planeta
reter calor. Dos sete bilhões de toneladas de carbono liberadastodos os anos na
atmosfera, quatro bilhões são absorvidos pelas florestas e pelosoceanos. O
resto, aproximadamente três bilhões, vai se acumulando lenta e perigosamentena
atmosfera, elevando a temperatura média do planeta.
Isso
contribui para que sigamos quebrando sucessivos recordes de temperatura: 1998
foi o ano mais quente da história, desde que as medições foram iniciadas em
1861. 2002 e 2003 foram, respectivamente, o segundo e o terceiro anos mais
quentes. |