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O Perdão
do Coração
Andrey
Cechelero
"O que é
indispensável é nunca perdermos de vista o nosso próprio trabalho, sabendo
perdoar com verdadeira espontaneidade de coração. Se nos labores da vida um
companheiro nos parece insuportável, é possível que também algumas vezes sejamos
considerados assim. Temos que perdoar aos adversários, trabalhar pelo bem dos
nossos inimigos, auxiliar os que zombam da nossa fé." - Boa Nova, de Francisco
Cândido Xavier, Espírito Humberto de Campos.
O mestre
introduziu com perfeição as noções do verdadeiro perdão. Seus diálogos
carinhosos com os discípulos pregaram por diversas vezes, a necessidade do verbo
perdoar nas ações e pensamentos humanos.
Mas o que
significa "perdoar"? Os dicionários de nossa língua definem como absolver,
redimir, mas é este o verdadeiro perdão? Certamente que não. Precisamos
aprofundarmo-nos um tanto mais para compreendê-lo.
O
esquecimento do erro é a alma do perdão. Sem ele não podemos nos libertar das
lembranças penosas, e das vinculações negativas com o próximo. Porém, cabe aqui
um esclarecimento muito importante: não é a mente, a memória, que deve esquecer
a ofensa, mas sim o coração, fazendo com que os sentimentos olvidem os fatos
dolorosos.
Por esta
razão dizemos que, se ainda houver alguma gota de ressentimento, ainda não há o
completo perdão. O ressentimento faz com que voltemos a nos sentir mal, faz com
que retornem as mesmas impressões doridas, a mesma mágoa do passado. Ressentir é
sentir continuamente, é continuar sentindo algo desagradável, como se as
lembranças tristes permanecessem ecoando nas naves amplas do nosso coração
indefinidamente.
Assim, para
que exista o perdão do coração, faz-se necessário eliminar o ressentimento.
Desta forma a memória poderá até lembrar, mas os sentimentos negativos já terão
desaparecido, e isso propiciará nossa libertação das vibrações tempestuosas, dos
traços de odiosidade que carregamos conosco. |
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