Emmanuel nos diz que irmão é aquele que não vê o defeito do outro e se coloca em fraternidade real e verdadeira; irmão é aquele que quer ajudar o outro sem se preocupar consigo próprio; irmão é aquele que se sente feliz em ver a felicidade do outro. Nós ainda estamos nos preparando para essa fraternidade.

Sofrendo a fome e o abandono, o filho pródigo, sabendo que tudo fora criação sua, num esforço íntimo dá o primeiro passo: o arrependimento. Mas arrepender-se só não basta. É necessário mudar, buscar o alimento eterno.

Lembrando-se da paz e da tranqüilidade da casa paterna, "onde todos os trabalhadores têm alimentos em abundância", o filho pródigo cai em si. Caindo em si, saindo da periferia do ego pecador, o filho pródigo entrou no centro da redenção, da autocompreensão, dizendo: "Quem sou eu, apenas um pastor de porcos? Não. Sou o filho de um pai bondoso".

O que somos nós? Somos o filho perdulário! É nesse momento que também vamos cair em nós: somos aqueles a quem o Pai entrega a oportunidade de realizar uma tarefa edificante, somos aqueles que entram em sintonia com esse Pai, somos filhos conscientes de nossas realizações futuras.

Assim, o filho pródigo se levanta numa situação já de humildade, numa postura nova, tal qual exorta Jesus no Sermão da Montanha, e então vê Deus. Nesse instante, cresce, transforma-se, começa uma vida simples e limpa, volta à casa de seu pai e lhe diz:

"Pai! pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho". Mas o pai, pleno de alegria, chama os servos determinando-lhes que tragam vestes, anel, sandálias para o filho que havia chegado, bem como ordena a organização de uma festa "pois o filho que havia morrido agora vive".

Renascer e irradiar

Era o novo envoltório, eram novas vibrações, era a vontade de ver felizes todos que estavam à sua volta; era essa a vontade, era esse o estado de espírito daquele pai. Será assim também quando voltarmos ao Pai misericordioso, em cuja presença estaremos renascendo a cada dia e, nesse renascer, estaremos contribuindo para que o brilho da luz se realize, irradiando-se onde quer que nos encontremos.