A fé, segundo afirmou Morris West, é um salto no escuro para os braços de Deus!

E é refletindo sobre a vida dos missionários dedicados à vivência do amor à humanidade, que se torna possível entender a imensidão desse projetar-se, rumo às fontes inesgotáveis da Providência.

Essa é a legítima escuridão que se faz clara nos caminhos de quem chora. Mas, antes dela aportar na vida do sofredor, foi preciso existir a coragem daquele que se dispôs a buscá-la, correndo todos os perigos de quem se arrisca a penetrar nos domínios do que ainda não conhece.

Foi necessário confiança, porque, sem ela, o viajante do bem não teria forças para encontrar os mananciais de Deus.

Foi preciso empenho, desse que começa a ser realizado bem antes da viagem, através do exercício do querer bem, do desejar o bem, sempre.

Foi decisiva a capacidade de entrega, para que o servidor se despojasse dos fardos das posses efêmeras, a fim de trazer o alforje do amor carregado de boas novas aos doentes da alma.

Cada vez que o trabalhador vê-se cara a cara com a falta de recursos para realizar a tarefa nobre, pode recorrer a essa busca transcendental. A prece é a ponte. a fé é o caminho, e os seres são os Instrumentos de Deus para a resposta. Ela pode vir de caminhão, ou através de uma boa idéia, ou junto à frustração de não recebê-la quando a gente quer, mas sim quando for necessária , segundo a lógica do Alto.

Em quaisquer circunstâncias é fundamental não esquecer as prioridades que definem o desejo de evoluir. Servir porque se aprendeu a amar o serviço. durante sua própria prática: desejar imensamente beneficiar o próximo, descobrir-se a si mesmo enquanto se trabalha.

Para os dois missionários citados, instrumentos de Deus na Terra, o esquecimento deliberado do outro é o maior oral que assola as relações humanas no planeta. Madre Teresa declara que a pior doença de hoje não é a lepra, ou a Aids. É não ser desejado, é ser deixado de lado, é ser esquecido.