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A Água de
Todos Nós
Carlos Augusto
Abranches
ONU —
Organização das Nações Unidas — estabeleceu a data de 22 de março como o Dia
Mundial da Água. Na verdade, a homenagem é simbólica, porque o respeito a esse
elemento e o reconhecimento dos benefícios que traz ao homem são deveres de
todas as horas.
A
reverencia foi ressaltada pelo fato de, no dia citado, a mesma Organização ter
realizado em Marrakesh, Marrocos, um simpósio no qual foi feito um grave alerta
ao mundo. Estudiosos do equilíbrio ecológico afirmaram que em 2025 dois terços
da população estarão vivendo em áreas com recursos hídricos escassos.
De nossa
parte, questionamos: a água no Planeta é o bastante para a sobrevivência do ser
humano? A preocupação é relevante, sobretudo se levarmos em conta que daqui a 30
anos a falta dela estará relacionada diretamente com o aumento populacional.
Somos atualmente 5,7 bilhões de habitantes em todo o mundo. Em menos de três
décadas, a população será 50% maior.
A relação
entre produção alimentícia e irrigação tomar-se-á fundamental. Acredita-se até
que a competição pela água começará aí, já que para produzir alimentos em áreas
irrigadas será necessário um volume de água também na mesma proporção.
O maior
problema para o homem é que o mundo não tem muita água disponível. Senão
vejamos: 97% dos 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água são salgados. Dos 3%
restantes, 77% estão congelados nas regiões polares e 22% são subterrâneos, o
que já exigiria elevada soma de recursos para o aproveitamento.
Diante
desses dados, sobra exatamente 1% de água potável na superfície para ser
utilizada pela população mundial. E aí surge outra questão: essa quantidade é
suficiente? Resposta: seria, se a distribuição dela não fosse desigual em todo o
Planeta. As 200 bacias hidrográficas mais importantes do mundo estão localizadas
em áreas de fronteiras, o que significa ameaça de conflito, como os que ocorrem
no Oriente Médio. |