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As Lições
De Um Pássaro
Carlos Augusto
Abranches
Quem já não
ouviu, pelo menos uma vez, a música do sabiá que fugiu da gaiola e deixou a
menina chorando de saudade?! Pois é, em canções singelas como essa podemos
encontrar saudáveis lições evangélicas. Para tanto, é preciso o esforço de
buscar o espírito da letra, a fim de encontrar-se com a alma da mensagem.
Os versos
dizem que o pássaro fez um buraquinho na gaiola e voou até o abacateiro. A
menina, que gostava tanto do bichinho, chorou até fazer-lhe um pedido: "Vem cá,
sabiá, vem cá".
Sentindo
que a garota implorava sua presença, o sabiá responde do alto da árvore: "Não
chore que eu vou voltar". Fica-nos a dúvida, porém, se ele aceitou retomar para
a gaiola ou se resolveu expressar seu amor pela criança, mas em liberdade.
Este é o
dilema de muitos dos homens, quando se vêem convidados ao vôo da libertação, mas
preferem permanecer próximos à gaiola dos limites, sem coragem de verificar a
força e a resistência das asas.
Fosse o
afeto sincero a razão da permanência, como no caso do pássaro e da menina, a
questão estaria resolvida. O problema, no entanto, é outro, de trabalhosa
solução e de efeitos danosos para o equilíbrio do homem.
As
religiões tradicionais, comprometidas com os padrões severos dos dogmas e
rituais seculares, trabalharam regras e normas contundentes na consciência
multimilenar do espírito imortal. Valores morais e linhas de conduta previamente
determinados definiam o comportamento do homem religioso, e infeliz daquele que
ousasse viver de forma diferente.
Cada um
construiu, dessa maneira, o solo intimo onde passou a solidificar convicções e
crenças, opiniões e atitudes. O estudioso que procura o entendimento correto do
assunto precisa, portanto, considerar os componentes desse alicerce espiritual e
também conhecer as próprias bases onde as religiões se estabeleceram. |
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