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A
Sabedoria de Ser Livre
Carlos Augusto
Abranches
Só é
merecedor de sua liberdade e existência aquele que diariamente as reconquista.
(Goethe)
A frase de
Goethe, expressa em sua magnífica obra "Fausto", tem servido anos a fio a
diversas circunstâncias históricas e a diferentes interpretações.
Diante do
autoritarismo, da repressão e do abuso de poder, sempre fica difícil sustentar o
direito básico à liberdade. A história do homem está marcada por incontáveis
exemplos de subjugação impositiva, e não poucas vezes os indivíduos se viram na
necessidade de buscar no silêncio e na própria integridade a sobrevivência
emocional à escravidão.
Atualmente,
apesar da onda de liberdade política que reina em quase todo o mundo, o mesmo
fenômeno acontece, só que pelo outro extremo, o da suposta identificação da
liberdade com o direito de fazer o que se quer, da forma que se pretende e com
quem se imagina.
A impressão
de que se pode "curtir a vida" de qualquer maneira, rompendo os grilhões de uma
possível educação severa recebida, ou da opressão cultural e política de
determinados períodos históricos, não tem sido suficiente para grande número de
pessoas, haja vista a imensa procura a psicólogos e ao atendimento fraterno de
algumas casas espíritas, pelos que se imaginavam na posse da liberdade absoluta,
mas que até então não encontraram o prazer total com que a vivência dessa
situação é anunciada.
Inúmeros
pensadores que refletiram a esse respeito concordam que, em princípio, o homem
pode fazer tudo que quiser, desde que tenha capacidade de assumir as
conseqüências do que faz. É a liberdade consciente, que pela própria
constituição, não deve ser entendida sem a devida noção de responsabilidade.
O filósofo
holandês Baruch Espinosa (1632-1677 - 45 anos), conhecido como um dos maiores
pensadores da liberdade, chegou a escrever algo mais forte, que a chamada
vontade livre não existia. |