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Nunca, A
Sós
Divaldo Pereira
Franco
Não poucas
vezes, no turbilhão da vida moderna de hoje, qual aconteceu na monotonia dos
dias transatos, a criatura humana tem a impressão de que se encontra a sós,
lutando contra a correnteza dos acontecimentos, que a leva inapelavelmente na
direção do abismo.
Falta de
estímulo para continuar na faina pela conquista do pão, desinteresse por si
mesma, sofrimento interior sem aparente explicação, ausência de compreensão dos
amigos, frustração ante as ocorrências que esperava lhe fossem favorecer com
plenitude ou paz, tormentos íntimos perturbadores, são fenômenos do dia-a-dia na
agenda de incontáveis criaturas, que se sentem desamparadas e solitárias...
A ausência
de uma fé religiosa robusta que possa apontar o rumo da imortalidade, abre
espaço para comportamentos inquietadores, empurrando para a depressão e para a
revolta surda, silenciosa.
As
aspirações materialistas, trabalhadas pelos conceitos de felicidade sem jaça e
de harmonia sem desafios, transformam-se em desencanto, gerando cepticismo a
respeito de qualquer conquista que possa equacionar esses transtornos,
submetendo-a ao açodar de ressentimentos da existência e das pessoas à sua
volta.
Enquanto o
vozerio do prazer enganoso e a gargalhada estentórica da alucinação no gozo
imediatista, dominam as paisagens humanas, convidando ao afogamento dos
conflitos no mar tumultuado da embriaguez dos sentidos, mais aflição desencadeia
em quem se encontra em angústia por ausência de objetivo existencial.
Sucede que
o homem da atualidade, após as conquistas externas que persegue, não se
preocupou quanto deveria pela autopenetração, descobrindo os valores que se lhe
encontram ínsitos, desenvolvendo-os e harmonizando-os com as aquisições de fora.
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