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Tenha-se em
mente um instrumento qualquer.
Quando
harmonizado, com as peças ajustadas, produz, sendo utilizado com precisão na
função que lhe diz respeito. Quando apresenta qualquer irregularidade mecânica,
perde a qualidade operacional. Se a deficiência é grave, apresentando-se em
alguma peça relevante, para nada mais serve.
Do mesmo
modo, a depressão tem a sua repercussão orgânica ou vice-versa. Um equipamento
desorganizado não pode produzir como seria de desejar. Assim, o corpo em
desajuste leva a estados emocionais irregulares, tanto quanto esses produzem
sensações e enarmonias perturbadoras na conduta psicológica.
No seu
início, a depressão se apresenta como desinteresse pelas coisas e pessoas que
antes tinham sentido existencial, atividades que estimulavam à luta, realizações
que eram motivadoras para o sentido da vida.
À medida
que se agrava, a alienação faz que o paciente se encontre em um lugar onde não
está a sua realidade. Poderá deter-se em qualquer situação sem que participe da
ocorrência, olhar distante e a mente sem ação, fixada na própria compaixão, na
descrença da recuperação da saúde.
Normalmente, porém, a grande maioria de depressivos pode conservar a rotina da
vida, embora sob expressivo esforço, acreditando-se incapaz de resistir à
situação vexatória, desagradável, por muito tempo.
Num estado
saudável, o indivíduo sente-se bem, experimentando também dor, tristeza,
nostalgia, ansiedade, já que esse oscilar da normalidade é característica dela
mesma.
Todavia,
quando tais ocorrências produzem infelicidade, apresentando-se como verdadeiras
desgraças, eis que a depressão se está fixando, tomando corpo lentamente, em
forma de reação ao mundo e a todos os seus elementos.
A doença
emocional, desse modo, apresenta-se em ambos os níveis da personalidade humana:
corpo e mente.
O som
provém do instrumento. O que ao segundo afeta, reflete-se no primeiro, na sua
qualidade de exteriorização.
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