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Humanizar
Humanizar é
fazer com que nós, de vez em quando, tornemos à nossa simplicidade, ao nosso bom
humor, ao nosso lado humano. A vida nos impõe rotinas e, quando menos esperamos,
estamos fazendo aquilo rotineiramente, sem emoção. Nós nos transformamos em
máquinas.
Visitei uma
instituição e uma senhora me disse assim:
“Ah! Irmão
Divaldo, não agüento mais. Estou cansada de fazer caridade. Eu não agüento mais,
é tanto pobre.
Eu disse:
“minha filha, então deixe”.
Ela: “O
Senhor está me mandando deixar de fazer a caridade?”
Eu disse:
“Não, eu estou mandando você descansar, porque a caridade está lhe fazendo mal.
Já imaginou a caridade fazer mal a quem a faz? Algo não está funcionando! Ou
você está exibindo-se sem o sentido de caridade, me perdoe a franqueza, pois
quero lhe ajudar, ou você está saturada. Faça uma pausa”.
Ela: “O que
será dos pobres?”
Eu: “Minha
filha, eles são filhos de Deus. Antes de você chegar Deus já tomava conta. Você
está só dando uma mãozinha para você, não para eles, porque, afinal, isso aqui
nem é caridade, é paternalismo. Você está mantendo muita gente na miséria, que
já podia estar libertada, porque você me disse que já atendeu a avó, a filha e
agora está atendendo a neta.
Como é que você conseguiu manter na miséria três
gerações? Que a avó e a filha fossem pobres necessitadas, é aceitável, mas a
neta já teríamos que libertar da miséria de qualquer jeito. Colocando-a na
escola, equipando-a, arranjando-lhe trabalho. Isso não é caridade. Está lá no
Evangelho: “Transformai as vossas esmolas em salário”.
Então, repouse um pouco. É uma rotina. Você quer
abarcar um número de pessoas que você não pode abraçar. Diminua. Faça com
qualidade e procure fazer em profundidade. Faça o bem.
Nós não
podemos salvar o mundo e perder a nossa alma. A tese é de Jesus Cristo: “Que vos
adianta salvar o mundo e perder-se a si mesmo!” Nós não estamos aqui para salvar
o mundo. Estamos aqui para salvar-nos e ajudar o mundo para que cada um nele se
salve.
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