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Emocionou-se, perante os feridos e doentes
desesperados, e inventou a anestesia.
Anotou os prejuízos da solidão e construiu máquinas
poderosas que interligassem os continentes.
Analisou o desentendimento sistemático que oprimia
as nações e ofereceu-lhes o livro e o telégrafo, o rádio e a televisão que as
aproxima na direção de um mundo só.
Entretanto, os vencidos da angústia aglomeram-se
na Terra de hoje como enxameavam na Terra de ontem...
Articulam-se todas formas e despontam de todas as
direções.
Perderam o emprego que lhes garantia a
estabilidade familiar e desorientam-se, abatidos, a procura de pão.
Foram despejados do teto, hipotecado à solução de
constringentes necessidades, e vagueiam sem rumo.
Encontram-se despojados de esperança, pela
deserção dos afetos mais caros, e abeiram-se do suicídio.
Caíram em perigosos conflitos da consciência e
aguardam leve sorriso que os reconforte.
Envelheceram sacrificados pelas exigências de
filhos queridos que lhes renegaram a convivência nos dias da provação, e amargam
doloroso abandono.
Adoeceram gravemente e viram-se transferidos da
equipe domestica para os azares da mendicância.
Transviaram-se no pretérito e renasceram, trazendo
no próprio corpo os sinais aflitivos das culpas que resgatam, pedindo
cooperação.
Despediram-se dos que mais amavam no frio portal do
túmulo e carregam os últimos sonhos da existência cadaverizados agora no esquife
do próprio peito.
Abraçaram tarefas de bondade e ternura e são
mulheres supliciadas de fadiga e de pranto, conduzindo os filhinhos que
alimentam à custa das próprias lágrimas.
Gemem, discretos, e surgem na forma de crianças
desprezadas, à maneira de flores que a ventania quebrou, desapiedada, no
instante do amanhecer.
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