Perante o Corpo

Francisco Cândido Xavier

 

“Vós sois o sal da Terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar?” - Jesus - Mateus, 5: 13.

“Torturar e martirizar, voluntariamente, o vosso corpo é contrariar a lei de Deus que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquecê-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis, tal a lei.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V, 26.

Freqüentemente atribuis ao corpo as atitudes menos felizes que te induzem à queda moral e, por vezes, diligencias enfraquecê-lo ou flagelá-lo, a pretexto de evitar tentações.

Isso, porém, seria o mesmo que espancar o automóvel porque um motorista dementado se dispusesse a utilizá-lo num crime, culpando-se a máquina pelos: desvios do condutor.

Muitos relacionam as doenças que infelicitam o corpo, quase todas por desídia do próprio homem, olvidando, contudo, que todos os patrimônios visíveis da Humanidade, na Terra, foram levantados através dele.

Sócrates legou-nos ensinamentos filosóficos de absoluta originalidade, mas não conseguiria articulá-los sem o auxilio da boca.

Miguel Angel plasmou obras-primas, imortalizando o próprio nome, entretanto, não lograria concretizá-las sem o uso dos braços.

Desde Colombo, arriscando-se ao grande oceano, para descortinar terras novas, aos astronautas dos tempos modernos, que se lançam arrojadamente no espaço cósmico, é com os implementos físicos que se dirigem os engenhos de condução.

Da prensa de Gutenberg às rotativas de hoje, ninguém compõe uma página sem que as mãos funcionem ativas.

Do alfinete ao transatlântico e do alfabeto à universidade, no planeta terrestre, tudo, efetivamente, é levado a efeito pelo espírito mas por intermédio do corpo.