Em Louvor da Alegria

Francisco Cândido Xavier

 

“Bem-aventurados, vós, que agora chorais, porque rireis.” - Jesus - Lucas, 6: 21.

“Lembrai-vos de que, durante a vosso degredo na Terra, tendes que desempenhar uma missão de que não suspeitas, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V, 25.

Nos dias em que a experiência terrestre se faça amargosa e difícil, não convertas a depressão em veneno.

Quando a aflição te ronda o caminho, anuncias trazer o espírito carregado de sombra, como quem se encontra ausente do lar, ansiando o regresso, entretanto, isso não é motivo para que te precipites no desânimo arrasador.

Acusas-te em trevas e podes mentalizar com a própria cabeça luminosos pensamentos de otimismo e fraternidade ou retratar nas pupilas o fulgor do sol e a beleza das flores.

Entregas-te à mudez, proclamando não suportar os conflitos que te rodeiam e nada te impede abrir a boca, a fim de pronunciar a frase de reconforto e apaziguamento.

Asseveras que o mundo é imenso vale de lágrimas, cruzando os braços para chorar os infortúnios da Terra e possuis duas mãos por antenas de amor capazes de improvisar canções de felicidade e esperança, no trabalho pessoal em favor dos que sofrem.

Trancas-te em aposento solitário para a cultura da irritação, alegando que os melhores amigos te não entendem e perdes horas inteiras de pranto inútil e senhoreias dois pés, à maneira de alavancas preciosas, prontas a te transportarem na direção dos que atravessam provações muito mais dolorosas que as tuas, junto dos quais um minuto de tua conversação ou leve migalha do que te sobra te granjeariam a compreensão e a simpatia de enorme família espiritual.