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Pequeninos
Francisco Cândido Xavier
“Em verdade vos digo que aquele que não receber o
reino de Deus como uma criança nele não entrará.” - Jesus - Marcos, 10: 15.
“A pureza do coração é inseparável da
simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por
isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que
a tomou como o da humildade.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VIII, 3.
No mundo, resguardamos zelosamente livros e
pergaminhos, empilhando compêndios e documentações, em largas bibliotecas, que
são cofres fortes do pensamento.
Preservamos tesouros artísticos de outras eras, em
museus que se fazem riquezas de avaliação inapreciável.
Perfeitamente compreensível que assim seja.
A educação não prescinde da consulta ao passado.
Acautelamos a existência de rebanhos e plantações
contra flagelos supervenientes, despendendo milhões para sustar ou diminuir a força destrutiva
das inundações e das secas.
Mobilizamos verbas astronômicas, no erguimento de
recursos patrimoniais, devidos ao conforto da coletividade, tanto no sustento e
defesa das instituições, quanto no equilíbrio e aprimoramento das relações
humanas.
Claramente normal que isso aconteça.
Indispensável prover às exigências do presente com
todos os elementos necessários à respeitabilidade da vida.
Urge, entretanto, assegurar o porvir, a esboçar-se
impreciso, no mundo ingênuo da infância.
Abandonar pequeninos ao léu, na civilização
magnificente da atualidade, é o mesmo que levantar soberbo palácio, farto de
viandas, abarrotado de excessos e faiscante de luzes, relegando o futuro dono ao
relaxamento e ao desespero, fora das portas. |