|
Amenidade
Francisco Cândido Xavier
“Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a
Terra.” - Jesus - Mateus, 5: 5.
“A benevolência para com as seus semelhantes,
fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são as
formas de manifestar-se.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX, 6.
Surgem, sim, as ocasiões em que todas as forças da
alma se fazem tensas, semelhando cargas de explosivos, prestes a serem detonadas
pelo gatilho da boca...
Momentos de reação, diante do mal, em que a fagulha
da mágoa assoma do íntimo, aviventada pelo sopro do desespero...
Entretanto, mesmo que a indignação se te afigure
justificada, reflete para falar.
A palavra, não foi criada, para converter-se em
raio da morte.
Imagina-te no lugar do interlocutor.
Se houve deficiência no concurso de outrem, recorda
os acontecimentos em que o erro impensado te marcou a presença; se algum
companheiro falhou, involuntariamente, na obrigação, pensa nas horas difíceis,
em que não pudeste guardar felicidade ao dever.
Em qualquer obstáculo, pondera que a cólera é bomba
de rastilho curto, comprometendo a estabilidade e a elevação da vida onde
estoura.
Indiscutivelmente, o verbo foi estabelecido para
que nos utilizemos dele. O silêncio é o guardião da serenidade, todavia, nem
sempre consegue tomar-lhe as funções. Isso, porém, não nos induz a transfigurar
a cabeça num vulcão em movimento, arremessando lavas de azedume e inquietação.
Conquanto se nos imponha dias de franqueza e
esclarecimento, é possível equacionar, harmoniosamente, os mais intrincados
problemas sem adicionar o fogo da violência às parcelas da lógica. |