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Verbo Nosso
Francisco Cândido Xavier
“Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem
motivo, se encolerizar contra seu Irmão será réu de juízo...” - Jesus -
Mateus, 5: 22.
“0 corpo não dá cólera àquele que não na tem, do
mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios
são inerentes ao Espírito.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX,
10.
Ainda as palavras.
Velho tema, dirás.
E sempre novo, repetiremos.
É que existem palavras e palavras.
Conhecemos aquelas que a filologia reúne, as que a
gramática disciplina, as que a praxe entretece e as que a imprensa enfileira...
Referir-nos-emos, contudo, ao verbo arrojado de
nós, temperado na boca com os ingredientes da emoção, junto ao paladar daqueles
que nos rodeiam.
Verbo que nos transporta o calor do sangue e a
vibração dos nervos, o açúcar do entendimento e o sal do raciocínio.
Indispensável articulá-lo, em moldes de firmeza e compreensão, a fim de que não
resvale fora do objetivo.
No trabalho cotidiano, seja ele natural quanto o
pão simples no serviço da mesa; no intercâmbio afetivo, usemo-lo à feição de
água pura; nos instantes graves, façamo-lo igual ao bisturi do cirurgião que se
limita, prudente, à incisão na zona enfermiça, sem golpes desnecessários; nos
dias tristes, tomemo-lo por remédio eficiente, sem fugir à dosagem.
Palavras são agentes na construção de todos os
edifícios da vida.
Lancemo-las, na direção dos outros, com o
equilíbrio e a tolerância com que desejamos venham elas até nós. |
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