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Falar
Francisco Cândido Xavier
“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Não,
não...” - Jesus - Mateus, 5: 37.
“Espíritas: queremos falar-vos hoje da
indulgência, sentimento doce e fraternal, que todo homem deve alimentar para
com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.” - “0 Evangelho Segundo o
Espiritismo”, Cap. X, 16.
Falando, construímos.
Não admitas em tua palavra o corrosivo da malícia
ou o azinhavre da queixa. Fala na bondade de Deus, na sabedoria do tempo, na
beleza das estações, nas reminiscências alegres, nas induções ao reconforto.
Nos lances difíceis, procura destacar os ângulos
capazes de inspirar encorajamento e esperança.
Não te refiras a sucessos calamitosos, senão quando
estritamente necessário e ora em silêncio por todos aqueles que lhes sofreram o
impacto doloroso.
Tanta vez acompanhas com reverente apreço os que
tombam em desastre na rua!... Homenageia igualmente com a tua compaixão
respeitosa os que resvalam em queda moral, acordando em escabroso infortúnio do
coração!...
Se motivos surgem para admoestações, cumpre o dever
que te assiste, mas lembra que o estopim é suscetível de ser apagado antes da
explosão e reprime os ímpetos de fúria, antes que estourem na cólera.
Em várias circunstâncias, a indignação justa é
chamada à reposição do equilíbrio, mas deve ser dosada como o fogo, quando
trazido ao refúgio doméstico para a execução da limpeza, sem que, por isso,
tenhamos necessidade de consumir a casa em labaredas de incêndio.
Larga à sombra de ontem os calhaus que te
feriram... A noite já passou na estrada que percorreste e o sol do novo dia nos
chama à incessante transformação. |