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Psicologia da Caridade
Francisco Cândido Xavier
“Fazei aos homens tudo o que queirais que eles
vos foram, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.” - Jesus - Mateus,
7: 12.
“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer pelos
outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais
completa da caridade porque resume todos os deveres do homem para com o
próximo. - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI, 4.
Provavelmente, não existe em nenhum tópico da
literatura mundial figura mais expressiva que a do samaritano generoso,
apresentada por Jesus para definir a psicologia da caridade.
Esbarrando com a vítima de malfeitores anônimos,
semimorta na estrada, passaram dois religiosos, pessoas das mais indicadas para
o trato da beneficência, mas seguiram de largo, receando complicações.
Entretanto, o samaritano que viajava, vê o infeliz
e sente-se tocado de compaixão.
Não sabe quem é. Ignora-lhe a procedência.
Não se restringe, porém, à emotividade.
Pára e atende.
Balsamiza-lhe as feridas que sangram, coloca-o
sobre o cavalo e condu-lo à uma hospedaria, sem os cálculos que o comodismo
costuma tragar em nome da prudência.
Não se limita, no entanto, a despejar o necessitado
em porta alheia. Entra com ele na vivenda e dispensa-lhe cuidados especiais.
No dia imediato, ao partir, não se mostra
indiferente. Paga-lhe as contas, abona-o qual se lhe fora um familiar e
compromete-se a resgatar-lhe os compromissos posteriores, sem exigir-lhe o menor
sinal de identidade e sem fixar-lhe tributos de gratidão. |