Beneficência e Justiça

Francisco Cândido Xavier

 

“E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós também.” - Jesus - Lucas, 6: 31.

"Começai vós por dar o exemplo: sede caridosos para com todos, indistintamente; esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no reino, o joio do trigo.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI, 12.

Examinando a beneficência, reflitamos na Justiça que a vida nos preceitua ao senso de relações.

Sem ela, é possível que os nossos melhores empreendimentos sofram a nódoa de velhas mentiras cronicificadas em nome da gentileza.

Atravessas escabrosas necessidades materiais e, claro, te alegras, ante o auxílio conveniente, mas se a cooperação chega marcada pelo manifesto desprezo dos que te ajudam com displicência, como se desfizessem de um peso morto, estarias mais contente se te deixassem a sós.

Caíste moralmente, ansiando levantar, e rejubilas-te, diante do apoio que te surge ao reerguimento, entretanto, se esse concurso aparece tisnado de violências, qual se representasses um fardo de vergonha para os que te supõem reabilitar, sentirias reconhecimento maior se te desconhecessem a luta.

Choras, nas crises de provação que te fustigam a existência, e regozijas-te, quando os amigos se dispõe a ouvir-te o coração faminto de solidariedade, mas se pretendem consolar-te, repetindo apontamentos forçados, como se fosses para eles um problema que são constrangidos a suportar, por questões de etiqueta, mostrarias mais ampla gratidão, se te entregassem ao silêncio da própria dor.