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Compaixão e Socorro
Francisco Cândido Xavier
“Amai, pois, a vossos inimigos...“ - Jesus -
Lucas, 6: 35.
“Se o amor do próximo constitui a princípio da
caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio,
porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias
alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.” - “0 Evangelho Segundo o
Espiritismo”, Cap. XII, 3
Não apenas os nossos adversários costumam cair.
É preciso entender que as situações constrangedoras
não aparecem unicamente diante daqueles que não nos comungam os ideais, cujas
deficiências, por isso mesmo, estamos naturalmente inclinados a procurar e
reconhecer.
As criaturas que mais amamos também erram, como
temos errado e adquirem compromissos indesejáveis, como, tantas vezes, temos nós
abraçado problemas difíceis de resolver.
E todos eles, - os irmãos que resvalam na estrada,
- decerto pedem palavras que os esclareçam e braços que os levantem.
Tanto quanto nós, na travessia das trevas
interiores, quando as trevas interiores nos tomam de assalto, reclamam compaixão
e socorro, ao invés de espancamento e censura.
Ainda assim, compaixão e socorro não significam
aplauso e conivência para com as ilusões de que devemos desvencilhar-nos.
Em verdade, exortou-nos Jesus a deixar conjugados,
o trigo e o joio, na gleba da experiência, de vez que a Divina Sabedoria
separará um do outro, no dia da ceifa, mas não nos recomendou sustentar reunidos
a planta útil e a praga que a destrói. A vista disso, a compaixão e o socorro
expressam-se no cultivador, através da bondade vigilante, com que libertará o
vegetal proveitoso da larva que o carcome.
O papel da compaixão é compreender.
A função do socorro é restaurar. |