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Moeda e Trabalho
Francisco Cândido Xavier
“Porque isto é também como um homem que, partindo
para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.” -
Jesus - Mateus, 25: 14.
“Os bens da Terra pertencem a Deus, que os
distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador
mais ou menos íntegro e inteligente desses bens.” - “0 Evangelho Segundo o
Espiritismo”, Cap. XVI, 10.
Se muitos corações jazem petrificados na Terra, em
azinhavre de sovinice, fujamos de atribuir ao dinheiro semelhantes calamidades.
Condenar a fortuna pelos desastres da avareza,
seria o mesmo que espancar o automóvel pelos abusos do motorista.
O fogo é companheiro do homem, desde a aurora da
razão, e por que surjam, de vez em vez, incêndios arrasadores, ninguém reclamará
do mundo o disparate de suprimi-lo.
Os anestésicos são preciosos auxiliares de socorro
à saúde humana, mas se existem criaturas que fazem deles instrumentos do vicio,
ninguém rogará da ciência essa ou aquela medida que lhes objetive a destruição.
A moeda, em qualquer forma é agente neutro de
trabalho, pedindo instrução que a dirija.
Dirás provavelmente que o dinheiro levantou os
precipícios dourados da vida moderna, onde algumas inteligências se tresmalharam
na loucura ou no crime, comprando inércia e arrependimento a peso de ouro,
contudo é preciso lembrar as fábricas e instituições beneméritas que ele
garante, ofertando salário digno a milhões de pessoas. |