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Há tempo
ainda
José Raul Teixeira
Dirijo-me a
ti, sejas tu mulher-mãe ou homem-pai, a fim de que, juntos, alinhavemos algumas
considerações a respeito do filho ou da filha que o Criador da Vida te concedeu,
para que possas cooperar no processo de sua condução à felicidade.
Sabes, seja
pelas informações da tua filosofia religiosa ou através dos teus pensares
preocupados, que tens nobres quão graves compromissos com a alma conduzida aos
teus cuidados.
Se te
devotares, realmente, a esse labor, serás capaz de dar bom termo aos deveres
aceitos por ti, desde os tempos em que te achavas no Mundo dos Espíritos.
Em verdade,
não conheces, essencialmente, a intimidade do ser que te foi apresentado como
filho ou filha. Em cada momento da convivência com essa criatura posta sob tua
responsabilidade, vais te assenhoreando, pouco a pouco, das peculiaridades
gerais que o caracterizam. Percebes, então, no contato continuado com tua cria,
o quanto ela traz de surpreendente, de grandioso ou degradante, no comportamento
que exterioriza.
Não sabes,
é bem verdade, de que experiências procedem teus filhos. Ignoras quais sejam as
bagagens que trazem no imo do ser. Nenhuma notícia obtiveste a respeito dos
arquivos pretéritos dos teus rebentos. Podem estar renascidos no teu lar
criaturas com características de Rasputin ou de Francisco de Assis, de Messalina
ou de Teresa de Ávila, de Calígula ou de Gandhi, de San Martín ou de Napoleão.
Cada um
chega para a convivência contigo, para o teu envolvimento, portando bagagens
bem-aventuradas ou desafortunadas, que se constituíram ao longo do tempo,
transformadas, hoje, na auto-herança, o que bem se pode entender como o “pecado
original”, referido nos textos da Bíblia judaica, uma vez que ninguém herda
erros ou virtudes de quem quer que seja, mas de si próprios. Tanto os tormentos
íntimos quanto as excelentes virtudes procedem do passado espiritual do próprio
indivíduo.
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