Enrodilhado, enfiava o focinho entre as pernas e a cauda para aquecer-se. A julgar pelo frio daquela noite, o chão onde o cão dormia sem qualquer proteção deveria estar gelado. A senhora se sentiu na obrigação de proteger o animal daquela noite fria e, pegando o cobertor que ela havia reservado para dar ao primeiro necessitado que encontrasse, ela atravessou a rua e cobriu o cão.

O canino sequer se mexeu e continuou a ressonar. Satisfeita por sua boa ação, a mulher voltou para casa e, curiosa por saber se o cão ainda estava bem protegido, olhou pela janela embaçada e se surpreendeu com o que viu…

O cão havia acordado e se levantou. Parecia surpreso por estar coberto. Ele olhou para o cobertor e para o amigo adormecido. Em seguida agarrando com os dentes o tecido felpudo do cobertor, o arrastou até onde estava o amigo, que se enrolava em papelões e o cobriu, deitando-se ao lado e dormiu mais feliz desta vez.

 

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