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Desde
criança um misto de admiração e nostalgia me ligava à Grã-Bretanha bem como aos
países nórdicos . Minha esposa expressou desejo de conhecer a Áustria, talvez
embalada pelos sons poéticos das valsas vienenses ou mesmo pela ascendência
germânica de que era portadora.
Fizemos um
roteiro de trinta dias, que optamos por percorrer sozinhos. Ao chegar à Ilha
Britânica, após termos passado por outros países, fomos nos apaixonando pela
natureza dos campos, a beleza das flores e a arquitetura típica. Quando mais
mergulhávamos na profundidade do Interior, mas nos encantávamos. Ao entrarmos em
território escocês, as surpresas foram se sucedendo cada vez mais intensamente.
Ao
almoçarmos em um vilarejo, Helena teve a primeira forte emoção ao ver as
colheres utilizadas no local. Eram mais estreitas que as nossas, no Brasil, e
mais côncavas, bem mais profundas mesmo. Emocionada comentou:
- Ricardo,
você se recorda daquela colher defeituosa que eu tenho guardada há mais de 20
anos?
Como todo
marido distraído, disfarcei e disse algo como:
- Sim!?
- É uma
mais comprida e funda que sempre adorava, não sabia por quê. Agora eu sei! Já
tive uma assim antes. Veja! É semelhante a estas que usam aqui.
Durante
nossa passagem pela região foram ocorrendo diversos fenômenos desse tipo na
Grã-Bretanha, mas em especial na Escócia. Os vestidos de padrão floral, muito
usados na região, que sempre foram de sua preferência, as cestas de vime para as
compras muito utilizadas pelas senhoras, as louças típicas, e assim por diante.
O clímax
ocorreria em Perth, cidade que ela jamais tinha ouvido falar até aquele dia. À
medida que nos avizinhávamos do Palácio de Scone, ela se mostrava mais
emocionada com tudo ao redor. Colocou seus óculos escuros para disfarçar as
lágrimas quentes que rolavam pelas faces contraídas pela emoção. Apertava as
minhas mãos e dizia baixinho:
- Ricardo,
eu sinto que conheço, mesmo, este lugar!
- Você está
emocionada. Vamos vê-lo mais detalhadamente.
- Preciso
correr por estes campos! |