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A Melhora
da Morte
Richard Simonetti
Diante do
agonizante o sentimento mais forte naqueles que se ligam a ele afetivamente é o
de perda pessoal.
"Meu marido
não pode morrer! Ele é o meu apoio, minha segurança!"
"Minha
esposa querida! Não me deixe! Não poderei viver sem você!"
"Meu filho,
meu filho! Não se vá! Você é muito jovem! Que será de minha velhice sem o seu
amparo?"
Curiosamente, ninguém pensa no moribundo. Mesmo os que aceitam a vida
além-túmulo multiplicam-se em vigílias e orações, recusando admitir a separação.
Esse comportamento ultrapassa os limites da afetividade, desembocando no velho
egoísmo humano, algo parecido com o presidiário que se recusa a aceitar a idéia
de que seu companheiro de prisão vai ser libertado.
O
exacerbamento da mágoa, em gestos de inconformação e desespero, gera fios
fluídicos que tecem uma espécie de teia de retenção, a promover a sustentação
artificial da vida física. Semelhantes vibrações não evitarão a morte. Apenas a
retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maior de sofrimentos.
É natural
que, diante de sério problema físico a se abater sobre alguém muito caro ao
nosso coração, experimentemos apreensão e angústia. Imperioso, porém, que não
resvalemos para revolta e o desespero, que sempre complicam os problemas
humanos, principalmente os relacionados com a morte.
Quando
familiares não aceitam a perspectiva da separação, formando a indesejável teia
vibratória, os técnicos da espiritualidade promovem, com recursos magnéticos,
uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá",
surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a lucidez e ensaiando algumas
palavras...
Geralmente
tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os
"retentores" vão repousar, proclamando: |