|
Já perambulavam, mendicantes, pelas estradas e pelas ruas, os
negrinhos expulsos das fazendas por impróprios para o trabalho. Não
eram, como até então "negociáveis", com seus pais e os adquirentes de
cativos davam preferência às escravas que não tinham filhos no ventre.
Anália escreveu, apelando para as mulheres fazendeiras. Trocou seu
cargo na Capital de São Paulo por outro no Interior, a fim de socorrer
as criancinhas necessitadas.

Num bairro duma cidade do norte do Estado de São Paulo conseguiu uma
casa para instalar uma escola primária. Uma fazendeira rica lhe cedeu
a casa escolar com uma condição, que foi frontalmente repelida por
Anália: não deveria haver promiscuidade de crianças brancas e negras.
Diante dessa condição humilhante foi recusada a gratuidade do uso da
casa, passando a pagar um aluguel. A fazendeira guardou ressentimento
à altivez da professora, porém, naquele local Anália inaugurou a sua
primeira e original "Casa Maternal".
Começou a receber todas as crianças que lhe batiam à porta, levadas
por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos.
A
fazendeira, abusando do prestígio político do marido, vendo que a sua
casa, embora alugada, se transformara num albergue de negrinhos,
resolveu acabar com aquele "escândalo" em sua fazenda.
|