Na véspera de sua morte, ao despedir-se de Marjori que durante anos argumentara sobre a imortalidade com o então desiludido e cético materialista adepto de Schopenhauer, suas últimas palavras a ela dirigidas foram: “Minha filha, amanhã, ou depois, se vir no jornal que eu morri, você não vai chorar. Sabe bem que não morremos, e esta foi, apenas, uma de minhas passagens sobre a terra. Somos imortais”.

 

As Sessões Espíritas de Monteiro Lobato

No livro “Monteiro Lobato e o Espiritismo”, publicado pela Editora Lachâtre, com prefácio de J. Herculano Pires, estão reunidas - graças aos cuidados de Maria José Sette Ribas - as atas das célebres sessões mediúnicas realizadas e secretariadas pelo próprio escritor.

Nesta obra vemos que o criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo era um espírita praticante, tendo realizado uma série de experiências com as chamadas “sessões de copinho”, tendo obtido comunicação com os filhos, parentes e amigos falecidos, inclusive a famosa Tia Anastácia das histórias infantis de Emília e Pedrinho, que realmente existiu.

 

“Por que você quer que eu acredite na imortalidade? Que ganha você com isso?”

Mas não foi tudo tão fácil assim. Monteiro Lobato era materialista ferrenho, embora nutrisse pelo Cristo grande ternura. Sobre as freqüentes conversas que mantinha com Lobato conta Marjori, afilhada do poeta Júlio César da Silva e amiga do escritor desde menina que, comentar com ele sua crença na realidade espiritual era assunto perigoso, porque, recusando-se a crer, Lobato vinha com citações dos maiores filósofos materialistas - e a sua cultura era esmagadora.

Segundo Marjori, com o passar do tempo, os inúmeros golpes que a vida lhe desfechara, com a perda de seus filhos homens, Lobato mostrava-se abalado e ela o sentia, às vezes, desarvorado, desolado. Ela tentava esclarecê-lo, consolá-lo, despertando-lhe a inteligência para a crença na imortalidade.