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O
mal físico, para ele, devia ser bem menor do que a angústia que
experimentava pelo fato de não mais poder manejar a pena. Secretárias
ocasionais substituíam-no nesse ofício. No entanto, a grande
dificuldade para Denis, consistia em rever e corrigir as novas edições
dos seus livros e dos seus escritos. Graças, porém, ao seu espírito de
ordem e à sua incomparável memória, superava todos esses contratempos,
sem molestar ou importunar os amigos.
Após a 1a. Grande Guerra, aprendeu braille, o que lhe permitiu fixar
no papel os elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao
espírito, pois, nesta época da sua vida, estava, por assim dizer,
quase cego.
Em Março de 1927, com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que
intitulou de "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível". Neste mesmo mês a
"Revue Spirite" publicava o seu derradeiro artigo.
Terça-feira, 12 de Março de 1927 pelas 13 horas, respirava Denis com
grande dificuldade. A pneumonia atacava-o novamente. A vida parecia
abandoná-lo, mas o seu estado de lucidez era perfeito.
As suas últimas
palavras, pronunciadas com extraordinária calma, apesar da muita
dificuldade, foram dirigidas à sua empregada Georgette: "É preciso
terminar, resumir e... concluir". Fazia alusão ao prefácio da nova
edição biográfica de Kardec. Neste preciso momento, faltaram-lhe
completamente as forças, para que pudesse articular outras palavras.
Às 21:00 horas o seu espírito alou-se. O seu semblante parecia ainda
em êxtase.
As cerimônias fúnebres realizaram-se a 16 de Abril. A seu pedido, o
enterro foi modesto e sem o ofício de qualquer Igreja confessional.
Está sepultado no cemitério de La Salle, em Tours.
Dentre os grandes apóstolos do Espiritismo, afigura exponencial de
Léon Denis merece referência toda especial, principalmente em vista de
ter sido o continuador lógico da obra de Allan Kardec.
Podemos afiançar mesmo que constitui tarefa sumamente difícil tentar
biografar essa grande vida, dada a magnitude de sua missão terrena, na
qual não sabemos o que mais salientar: a sua personalidade
contagiante, o bom senso de que era dotado, a operosidade no trabalho,
a dedicação ímpar aos seus semelhantes e o acendrado amor que devotava
aos ideais que esposava.
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