Leonora Evelina Simonds Piper

 

Quando, a 9 de novembro de 1889, o velho navio “Scythia”, da Cunnard, saiu do porto de Boston, entre seus passageiros se encontrava uma senhora alta, de fisionomia simpática, acompanhada de duas filhas pequenas.

Mrs. Leonora Piper era uma mulher simples e de pouca instrução, esposa de um empregado no comercio de Boston. Não obstante, estava destinada a fornecer ao mundo, no breve espaço de três meses, um dos mais profundos mistérios da moderna investigação psíquica.

Durante a incômoda viagem no “Scythia”, Mrs. Piper mais de uma vez se arrependeu de ter aceitado aquele convite para ir à Inglaterra, a fim de que alguns de seus incríveis fenômenos pudessem ser atentamente estudados por cientistas experientes.

Ela estava certa de que seria apenas uma repetição do que já vinha acontecendo nos últimos quatro anos: franca desconfiança, observações rigorosíssimas para ver se havia algum truque, detetives particulares seguindo todos os seus passos, gente com medo de falar francamente em sua presença e todo o mundo a olhá-la como a um monstro estranho e até mesmo temível.