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Talvez, semelhante estado de coisas seja natural ao homem, como é
natural às formigas e às abelhas viverem em seus formigueiros e em
suas colmeias em contínua luta e sem outro ideal. Assim, de fato, é
que dizem muitos.
Mas o coração humano não quer crer. Sempre se sobrelevou contra a vida
mentirosa e tem sempre convidado aos homens a se deixarem levar pela
razão e pela consciência; e nos nossos dias faz tal chamamento mais
urgente do que nunca.
Já sabemos demasiadamente que nossa vida não abarca séculos, milhares
de anos, uma eternidade, e entretanto, nos achamos na Terra vivendo,
pensando, amando, gozando a vida...
E
agora podemos passar estes setenta anos - se chegarmos a tal idade,
porque podemos não viver senão alguns dias, algumas horas - no
desgosto, no ódio, ou na alegria e no amor; podemos viver com a
consciência de estar fazendo o mal, ou bem, de realizar, ainda
imperfeitamente, o que podemos crer que seja nosso dever.
"
- Andai preparados, andai preparados, andai preparados" - dizia, aos
homens, João Batista.
"
- Andai preparados" - dizia o Cristo.
"
- Andai preparados" - diz a voz de Deus, tanto como a voz da
consciência e da razão.
Entretanto, distingamos as nossas ocupações, cada um dos nossos
prazeres, e perguntemos a nós mesmos: fazemos o que devemos, ou
gastamos inutilmente nossa vida, (...)
Bem sei que basta uma vista de olhos, como um cavalo que faz voltear
uma roda; nos parece impossível deter-nos para refletir um instante,
dizendo:
"Nada de tantas reflexões; atos sim".
E
outros afirmam:
"Não é preciso, cada um pensar em si mesmo, em nossos desejos, quando
a obra, a cujo serviço nos achamos, é a nossa família, a arte, a
ciência, a sociedade, tudo pelo interesse geral".
Outros garantem:
"Tudo está pensado e experimentado há muito tempo e ninguém encontrou
algo melhor; sigamos, pois, nossa vida e nada mais". |
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