Enfim, a história reconstituí, em cenários pobres, de gente do campo, o ponto de vista, superstições, crenças e vivências de camponeses. Tudo propositadamente muito simples e despojado. Wallace percebeu que: "esse folclore estava em vias de completo desaparecimento, sem que a população local demonstrasse o menor interesse pelo problema. Estivemos em contato com pessoas da região, recolhendo história, trechos de canções e um vocabulário muito especial. Os diálogos, registrados por Ynah Peres Bittencourt, espelhavam exatamente o linguajar típico da região".

A apresentação do filme foram feitas com as esculturas do mestre Dito, segundo o Wallace: "tão, ou mais talentoso que o famoso nordestino, mestre Vitalino". Algumas dessas esculturas estão no Museu da cidade, assim como o roteiro do filme.

Para ele o filme fez sucesso: "sobretudo porque o TECA era constituído de elementos que eram, em todo o seu conjunto, considerado o melhor grupo do Brasil. O sucesso maior dependeu da compreensão daqueles que tinham consciência dos valores folclóricos de uma nação. Foi um trabalho duro que, felizmente deu certo. Aplaudiram a um espetáculo de bom nível. De nossa parte, imprimimos à direção, toda bagagem universal respirada na técnica de Grotovsky e Stanislavisky, que já imprimia nos espetáculos teatrais".

Mas a aventura cinematográfica daqueles adoráveis jovens teve fim: "não continuamos fazendo filmes por várias razões. Uma delas foi que o nosso quartel general ficava no Teatro Municipal, gentilmente cedido pelo professor Lysanias de Oliveira Campos, então na direção da Superintendência de Cultura Artística. Nosso objetivo – promover Araraquara – já estava dando os melhores frutos.

O Brasil todo tinha conhecimento do grupo teatral. Ocorreu também uma grande alta na matéria prima cinematográfica, que é toda importada. Sem um grande apoio não podíamos seguir em frente. Esse apoio não veio e, nem iniciamos "Madona das Ruas Mortas", cujo entrecho seria todo filmado nas ruas, praças, etc...da cidade de Araraquara".

O filme foi distribuído pelo Brasil inteiro durante aproximadamente cinco anos. Depois, por força de lei, tirado de circulação, a menos que fossem feitas cópias novas. Mas não havia capital para isto.