Essas calamidades coletivas, às quais associamos os incêndios, os desmoronamentos, o terrorismo, as guerras, as epidemias, as revoluções e outros fenômenos destrutivos, que comovem a sociedade, têm por objetivo despertar também as consciências para a reflexão em torno da transitoriedade da vida física, do esforço que se deve empreender em favor da paz interior e da harmonia geral, constituindo motivos de provas e de expiações para os indivíduos que optam pelas ilusões e anestesia da consciência.

Também alcançam as mulheres e os homens de bem, portadores de fé, de conduta irreprochável, porque a dor não apenas é instrumento de purificação, fomentadora do progresso moral, como também fenômeno natural de desgaste a que está submetida a organização física, aprimorando a moral e a espiritual do ser.

 

O Movimento “Você e a Paz” criado pelo senhor está na sua 10ª edição realizada em dezembro de 2007: quais as propostas desse movimento?

Depois de haver visitado algumas dezenas de presídios e penitenciárias, casas de detenção, falsamente denominados como reeducandários sociais, e vivido por quase cinqüenta anos em um bairro muito violento, em que 80% dos seus habitantes vivem na linha abaixo da miséria econômica e educado quase 25.000 crianças e jovens que passaram pelas nossas Escolas, senti a necessidade de fazer algo mais.

Amparado pelo pensamento espírita e tomado de compaixão pelos violentos, resolvi enfrentar alguns desafios propondo o Movimento Você e a paz, na praça pública. Levamos o projeto à Egrégia Câmara de Vereadores e nobre Edil apresentou-o aos seus pares, que votaram por unanimidade para que o dia 19 de dezembro ficasse denominado como o Dia da Paz na cidade do Salvador.

Conseguimos o apoio da mídia e realizamos a primeira edição. Notei, porém, que era necessário ir mais profundo no trabalho. Com amigos devotados, passamos a proferir palestras em escolas de diversos bairros, atraindo pessoas violentas, abordando o tema da paz e convidando-as para que no dia 19 de dezembro fossem à praça, a fim de participar de ação mais ampla.