Como foi a descoberta da hiperatividade em sua própria filha?

Alguns especialistas diziam que ela era autista e hiperativa. Outros, que tinha asperger, uma forma leve de autismo, e outros não conseguiam dar um diagnóstico. Isso me levou a procurar grupos de estudos formados por profissionais da saúde e da educação e por pais, nos Estados Unidos, Inglaterra e Espanha, onde os estudos nessa área estavam mais adiantados. Nessa época, também fui buscar informações no livro Autismo, uma visão espiritual, do Hermínio Miranda.

 

E como ocorreu o processo de desenvolvimento de métodos para a educação da menina?

Esse processo partiu do princípio de que a escola tradicional não sabia lidar com ela. Por exemplo: ela só foi falar aos três anos e meses depois começou a ler sozinha, de forma compulsiva e sem qualquer orientação dos adultos. Ela sempre foi muito independente. Trazia um conhecimento da vida espiritual muito grande, falava de reencarnação e sempre teve um sentimento de justiça aguçadíssimo.

Era desapegada de coisas materiais. E o que complicava ainda mais seus relacionamentos na escola era que ela procurava argumentar isso com a turma. Dá para ter uma idéia do que isso representava na sala de aula? Tinha uma necessidade muito grande de aprender, mas a escola não era o seu lugar, como ela mesma sempre dizia. Por isso, busquei inspiração em Pestalozzi para educá-la em casa, somando a sua metodologia com as informações atualizadas que obtinha via internet, com esses grupos de estudos.

 

Por que resolveu transformar sua experiência em livros e palestras?

O acúmulo de informações que vinham das mais variadas fontes, todas com credibilidade comprovada, me levaram a uma reflexão muito séria sobre a necessidade de compartilhar aquilo tudo com tantas mães desesperadas por não saberem o que fazer com seus filhos em situações semelhantes.