Um professor com formação espírita tem ensejo de utilizar o conhecimento espírita para a realização do seu trabalho. A forma de ensinar, a dedicação aos alunos, o espírito de serviço, a boa vontade em atender, o gosto por estudar a fim de aprimorar-se sempre mais, etc.

No entanto, não nos cabe converter as aulas para as quais somos pagos em aulas de 'endoutrinação' espírita dos alunos. Há que se usar de bom senso para não enveredarmos pelo ridículo que levaria a lúcida Doutrina Espírita à vala do escárnio e da desconsideração.

 

A contribuição da educação em si, além das fronteiras do movimento espírita, tem atingido seus objetivos junto a alunos e professores?

Lamentavelmente, ainda não. Quando Allan Kardec enunciou em "O Livro dos Espíritos" que' educar é a arte de formar caracteres', afirmou que não se tratava de educação intelectual, tampouco de acúmulo de textos e teses bonitas sobre o assunto. Asseverou que era da educação que estava tratando, dessa que transforma os indivíduos.

Enquanto chamarmos educação a esse verniz social, que se utiliza enquanto e quando convém, sem raízes, sem durabilidade, logo, sem realidade essencial, a educação em nossas sociedades não sairá das páginas valiosas dos livros inertes, nem ultrapassará a barreira do mero discurso.

 

Em termos de educação espírita, propriamente dita, nas atividades cotidianas de nossas instituições espíritas, como podemos avaliar a proposta do Espiritismo e a realidade vivida atualmente?

Sendo as pessoas espíritas os homens e mulheres comuns do mundo, vivenciando os mesmos embates e as mesmas necessidades dos demais; estando grande massa de freqüentadores das Instituições Espíritas em busca de melhorias da saúde, da família ou mesmo da vida material, pouco interesse estará voltado para a vivência prática de uma educação calcada nos generosos ensinamentos espíritas.