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O que
devemos, acredito, é ter clareza dos problemas da nossa contemporaneidade:
imediatismo, individualismo, ética midiática, instituições resistentes a
qualquer mudança, famílias ausentes e despreocupadas com a educação moral dos
filhos, muito mais opções de lazer, dentre outros.
Agora, se a
tudo isso ajuntarmos, por exemplo, uma prática pedagógica evangelizadora
desinteressante, apática, tipo “ditando normas”, sem vida, sem problematização,
sem abertura ao diálogo, sem conteúdo doutrinário norteador – teremos um
problema sem tamanho.
Creio que o
caminho está num esforço coletivo – pais, educadores, dirigentes espíritas – de
identificação de nossas responsabilidades (quais os nossos equívocos?) e na
assunção de um compromisso com a causa da educação moral nossa e das novas
gerações.
Em sua
opinião temos preparado devidamente nossos jovens e crianças para o trabalho
espírita do futuro?
De modo
geral, pela experiência pessoal que vivo, creio que hoje o jovem tem mais espaço
do que no passado, no movimento espírita. No entanto, tem ele também muitas
outras solicitações e, convenhamos, adquirir estabilidade social hoje é mais
difícil, sobretudo em face das exigências da vida profissional.
Um curso de
graduação não tem mais o mesmo peso de algumas poucas décadas atrás. Isso
significa que o jovem, no meu entender, tem menos tempo do que nós tivemos para
se dedicar à Doutrina e ao movimento, de modo geral. Essa é uma das razões pelas
quais temos que investir no jovem desde os primeiros momentos, especialmente
quanto aos aspectos doutrinários e aqueles voltados para as relações
interpessoais.
Não podemos
nos descuidar, ainda, da formação específica para as tarefas que deverá assumir
(de acordo com o perfil exigido pela tarefa), sem esquecermos a postura
educacional: nem afastamento do jovem pelo rigor e desconfiança, nem
paternalismo e o equívoco de que o jovem tudo pode. Agradeço até hoje aos que me
disseram “não” e me admoestaram com carinho e respeito.
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