Quais são as recordações do senhor dessa época?

Lembro que antigamente eu ia à padaria e sempre que via alguém necessitado recolhia e o encaminhava à nossa instituição. Havia muitas pessoas que chegavam de fora e necessitavam de emprego, não só das fazendas, mas pessoas que vinham do Norte do país. Então nós as ajudávamos a conseguir emprego. Era muita gente, crianças, jovens, adultos...

 

O senhor também fundou na cidade de Dois Córregos o Lar Tito e Paiva. É isso mesmo?

Sim, eu e meu companheiro Ângelo Rico – seu apelido é Tito - fundamos em 1936 a Sociedade Espírita de Assistência Social, cuja finalidade era distribuir alimentos às famílias necessitadas. Nos dias de hoje a entidade ainda funciona e tem o nome de Lar Tito e Paiva.

 

Nesses 100 anos de proveitosa existência física o senhor deve ter visto muitas coisas. Por isso, a pergunta é: Há algo ainda hoje que o deixa indignado?

Sim, a injustiça social.

 

O senhor é espírita?

Sim.

 

Como se deu seu contato com a doutrina codificada por Allan Kardec?

Ainda bem jovem, li um livro chamado “Do Calvário ao Infinito” (obra psicografada pela médium Zilda Gama, de autoria do Espírito de Victor Hugo). Achei a doutrina espírita lógica e, a partir de então, isso mudou minha mentalidade, pois encontrei nela – Doutrina Espírita – uma forma prática de prestar solidariedade às pessoas.