Você considera que, de modo geral, as reuniões mediúnicas estão desempenhando bem o seu papel ou deixam a desejar?

Em relação à parte teórica, as pessoas estão estudando mais e procurando conhecer mais a respeito dos fenômenos mediúnicos e a sua prática. Verificamos um esforço muito grande no trabalho da Federação Espírita Brasileira, no trabalho da Federação Espírita do Paraná, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, da União Espírita Mineira e outras Federativas que estão trazendo uma contribuição muito importante e tentando esclarecer o meio espírita a respeito desse tema. Esses trabalhos têm muita procura e estão sendo adotados em grande parte do país e no exterior.

No tocante à prática, contudo, ainda encontramos muitos equívocos. Ao tomar contato com a teoria, as pessoas, às vezes, interpretam-na a seu modo, pois nisso estão implícitas a sua bagagem de conhecimentos de vivências anteriores, de pontos de vista arraigados, e do personalismo ainda muito presente, o que pode levá-las a distanciar-se de Kardec, deixando de lado aquilo que ele recomenda, ou seja, o crivo da razão. Entretanto, nós temos visto que as Casas Espíritas estão buscando dar um caráter mais sério às reuniões mediúnicas e isso tem sido muito saudável.

 

O que você considera como sendo o maior empecilho ao bom desempenho nas reuniões mediúnicas?

Três pontos essenciais precisam ser alcançados: a afinidade entre as pessoas que constituem o grupo, o estudo constante e a vivência dos princípios da Doutrina Espírita, o que vale dizer, a transformação moral de cada um dos participantes.

É preciso que os integrantes se amem, que haja confiança entre todos, que se sintam seguros quanto à direção espiritual e a do dirigente encarnado e formem uma reunião homogênea, porque os princípios e objetivos são comuns. Muitas das dificuldades decorrem do fato de que os participantes não procuram a própria transformação moral, não vivem no cotidiano de forma consentânea com as diretrizes espíritas.