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O Mistério
de Edwin Drood que o autor deixava a meio, ao falecer. E de tal forma o
conseguiu que não foi possível determinar o ponto em que termina a obra do
escritor e começa a ação do médium.
Outros
psicógrafos existiram, como o português Fernando de Lacerda, que escrevia
mediunicamente, em prosa e em verso, conversando com amigos, com as mãos,
acionado pelos escritores clássicos de Portugal.
Às vezes,
Fernando de Lacerda despachava com a mão direita papéis da repartição em que
trabalhava, enquanto psicografava com a esquerda páginas de Alexandre Herculano,
Eça de Queirós, Camilo, etc. O mesmo sucedia ao médium brasileiro Carlos
Mirabelli, de S.Paulo, que psicografava com as duas mãos, também conversando,
teses científicas ou filosóficas, em línguas diferentes umas das outras.
E apenas
cito esses, que, certamente, não interferiram, de forma alguma, na qualidade ou
na ação da psicografia. Médiuns desse tipo são, porém, muito raros.
O mais
comum é haver influência do médium, sobretudo quando ele não observa uma
disciplina rigorosa e não se empenha em bem compreender a mediunidade, a fim de
exercê-la criteriosamente.
O médium
muito intelectualizado, por sua vez, mantendo idéias e opiniões muito pessoais,
e preconceitos às vezes inveterados, poderá influir bastante, alterando o
pensamento da entidade comunicante, produzindo o a que denominamos “enxerto”.
Os
Espíritos elevados, que já se manifestam com obras de responsabilidade, preparam
os seus médiuns longamente , por vezes desde a infância, a fim de evitar tais
ocorrências. De qualquer forma, o Espírito comunicante utiliza o cabedal
fornecido pelo médium.
Poderá este
psicografar assuntos muito superiores à sua capacidade, mas sempre existirão
certas expressões particularmente suas, naquilo que produz. De outro modo, a
qualidade da mensagem não depende apenas do médium, mas também do Espírito que a
fornece e até do ambiente em que exerça a sua faculdade. |
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