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Em Silvânia, município de Matão, em 1939,
nascia José Antonio dos Santos, que teria uma longa caminhada a
percorrer, vencendo grandes dificuldades e realizando o trabalho a que
se propôs, no campo da Doutrina Espírita.
De família católica, criança ainda,
início da adolescência, sofreria a influência de um tio muito querido,
Italo Ferreira, farmacêutico, jornalista e escritor espírita, grande
companheiro de Caírbar Schutel, tendo com ele participado da fundação
do jornal O Clarim.
José Antonio, mais tarde encontraria a
grande companheira e amor de sua vida, Maria Leonor de Carvalho Santos
e entre o namoro e o período de casados, já se passaram 50 anos de
vida em comum e ele, de olhos brilhantes, disse esperar ter a
oportunidade de estarem juntos na próxima encarnação. |
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Freqüentador do Centro Espírita Redenção,
desde seus 23 anos, quando a Casa tinha por endereço a esquina da
Voluntários da Pátria com a Djalma Dutra, conheceu ali o trabalho e
dedicação de Angelo Lorenzetti e Antonio Cassaut e neles se inspirou.
Passou a desenvolver vários trabalhos na Casa, passista,
entrevistador, colaborador nas atividades de caráter assistencial e
mais tarde palestrante.
A estas atividades, acrescente-se a de
cozinheiro através da qual vem realizando, com o apoio de uma equipe,
almoços e jantares beneficentes para várias entidades. Já é tradição
de 11 anos essa equipe, no domingo que antecede o Natal, oferecer um
almoço natalino para os assistidos pelo Centro Espírita Francisco de
Assis Amor e Caridade, no bairro Laranjeiras.
Fez parte, por vários anos, da USE -
União das Sociedades Espíritas de Araraquara - fazendo parte de várias
Diretorias ao lado de dedicados companheiros: Isaura e Anesio Runho,
Celso Leite, Nelson Orlando, Roberto C. Vaz de Carvalho e João
Mantoanelli entre outros.
Lembra-se das CONRESPs das quais a Use
Araraquara participou e de uma delas em especial, sediada pela cidade
de Jaboticabal, em que teve a oportunidade de conviver com Nestor
Masotti e Divaldo Pereira Franco.
Recorda-se que Divaldo indagou a respeito
do trabalho que a USE realizava junto à Penitenciaria de Araraquara,
iniciado pelo Sr. Damiano Masotti, pai de Nestor, pedindo então a José
Antonio que fizesse um relato, para o público presente, para que se
tornasse conhecido trabalho de tão boa qualidade. José Antonio disse
que "tremeu nas bases", ao ser convidado a falar perto do grande
tribuno que é Divaldo.
Orgulha-se desse período de 6 anos de -
1988 a 1994 – como presidente a USE – Araraquara, do jornal que
editaram: Portal da Luz, que infelizmente restringiu-se a apenas 3
edições, devido as dificuldades financeiras que enfrentaram, sem os
recursos das parcerias publicitárias da atualidade.
Nesse período era Presidente da USE
Regional, Luis Antonio Balieiro, hoje Presidente da USE Estadual, por
quem José Antonio tem grande admiração.
Lembra-se que mesmo com dificuldades, a
USE local financiava a vinda de excelentes oradores de outras cidades,
através de algumas poucas promoções, e recursos saídos do bolso dos
companheiros.
Esses palestrantes compunham uma escala,
em que se incluíam oradores locais, uma listagem de 32 palestrantes,
os quais se revezavam entre as várias Casas Espíritas de Araraquara.
Esse trabalho era coordenado por Armando Tramontlna E Nelson Orlando.
José Antonio, apesar de estar em momentos
de testemunhos na área da saúde, fora do lar devido às necessidades de
atendimento específico, exercitando em grande escala a resignação, a
coragem, a fé, não desistiu do trabalho espiritual.
Ali onde se abriga durante este período,
que acreditamos esteja se findando, se reúne com um grupo do Centro
Espírita Francisco de Assis, que o visita regularmente, do qual faz
parte a companheira de ideal Meire Cruz.
A este grupo juntam-se outros residentes,
entre eles um dos fundadores da Casa do Caminho de São Paulo. Acabaram
instituindo o Evangelho no Lar, reunindo-se aos sábados, fazendo a
leitura do Evangelho, cabendo a José Antonio discorrer sobre o
capítulo em estudo, orando ao PAI, beneficiando toda a comunidade ali
abrigada.
Contou-nos que numa dessas ocasiões,
quando iam dar início ao Culto do Evangelho, chegou o Padre, que
também viera trazer a sua assistência. Ao tomar ciência da situação,
propôs que não se incomodassem com sua presença e realizassem a sua
reunião que ele aguardaria, num perfeito entrosamento que deverá
vigorar, um dia, entre os cristãos.
Disse de sua intenção de dar continuidade
a esse trabalho quando deixar a instituição que o abriga e que
aproveitou esse tempo para refletir, dedicar-se à leitura, à
reciclagem dos conhecimentos, retomando o estudo das Obras Básicas.
Num testemunho de que é possível superar
grandes dificuldades com equilíbrio, falou-nos que mesmo nos momentos
de grande dor física e moral, da amputação a que foi submetido,
passando por processo de intensa angústia nunca perdeu a confiança,
nunca duvidou do amparo do Pai e de Jesus amparo que se comprovou
através de manifestação espiritual que ainda o emociona ao lembrar-se.
Passava por um momento de intensa dor,
quando não era mais possível o recurso de analgésicos, devido a
dosagem já administrada, desesperado pediu ajuda.
Apareceu então, projetado na parede, como
uma grande tela, um espírito, de aspecto idoso, de barbas brancas, que
disse pertencer à equipe dos “Velhos Sábios” e que o exortou a ter
paciência, resignação, coragem, revelando-lhe que para isso havia um
espírito forte, encarnado como mulher, colocada ao seu lado para lhe
dar sustentação e tornar suportável a caminhada difícil. José Antonio
percebeu que o espírito fazia referência, sem citar nome, à sua
companheira Maria Leonor...
Seu problema de saúde, que se arrasta por
longos 3 anos, está evoluindo para melhoras evidentes, e colocada a
prótese que se faz necessária, planeja para Outubro, voltar a ativa na
condução da própria vida e das atividades doutrinárias.
Agradecemos a oportunidade, eu Arlet e
Laurindo de ali estarmos aprendendo no laboratório da vida, tão
significativas lições e pedimos que enviasse uma mensagem aos
companheiros de nosso jornal O Mensageiro e José Antonio assim
despediu-se:
“Um abraço a todos. Aceitem a dor sem
revolta, sem perder a confiança, certos do amparo divino”
Araraquara, 10 de agosto de 2006
Arlett R. Celli Matheus |